O jovem deficiente que conseguiu doutorado em Física graças à ajuda das mãos de sua mãe


Data da publicação: 14/8/2017
O jovem deficiente que conseguiu doutorado em Física graças à ajuda das mãos de sua mãe

David Valenzuela é inspirado. Qualquer história, qualquer pensamento, ele conta com um pouco de poesia. Como quando se lembra da infância em Copiacó, com sua mãe e uma tia lhe ensinando as cores, as letras, os números, as figuras geométricas. Ele tinha sonhos em que era piloto de avião.
"Me custou a entender este sonho. Demorei 20 anos para entendê-lo. Porque no final das contas o avião sou eu, e tenho que batalhar. De uma ou de outra forma sou o piloto. Eu conduzo este corpo e devo ultrapassar seus limites ou seja, voar. Sempre tive consciência da minha deficiência e no final entendi porque sonhava com um avião: porque meu espírito deve ser livre. Meu avião é meu espírito, que deve voar.

Ele entrou para o colégio aos 7 anos, no segundo ano básico. Pelo estímulo recebido em casa, já sabia ler e seu nível de matemática - sua matéria favorita - correspondia a de um aluno do sétimo ano. Como na escola não permitiram que sua mãe o acompanhasse, Sara contratou uma assistente para que ficasse com ele nas horas escolares. O menino falava com muita dificuldade, não caminhava sozinho - só faria isso ao completar 13 anos - e não escrevia. Precisava de alguém a seu lado para o ajudar a se locomover, tomar notas, que o levasse ao recreio e lhe desse a merenda.
Terminou o básico com média 7. Sua mãe não quis que fosse dispensado de nenhuma matéria, nem mesmo educação física: desenvolveram para David uma rotina especial - sem corridas ou obstáculos - pela qual era avaliado. Os êxitos acadêmicos se repetiram na escola Mercedes Fritis, de Copiapó, onde terminou com 6,9 e prêmio de melhor aluno. Nesses anos, teve o acompanhamento de uma assistente para fazer o que o corpo de David não era capaz.
David Valenzuela passou anos pensando o que queria ser na vida: físico. Sua mãe, que achava que uma carreira em humanas seria mais fácil para um deficiente, não conseguiu dissuadi-lo. A decisão estava tomada.
Quando seu filho estava no último ano do colégio, em 2004, viajaram a Santiago e chegaram ao campus San Joaquín da Universidade Católica (UC). Ali funciona a Faculdade de Física. Tiveram uma entrevista com o diretor de ensino, Rafael Benguria.
A mãe expôs suas apreensões. Especialmente pelos trabalhos de laboratório, que requerem habilidades motoras refinadas. Benguria a tranquilizou: David seria muito bem-vindo. E com relação aos laboratórios, o acadêmico foi prático: ali os trabalhos eram feitos em duplas e David podia ser o que pensava e o outro, o que executava as funções.
No ano seguinte, David conseguiu a pontuação na PSU (equivalente ao vestibular brasileiro) para entrar em Física na UC e se tornou o primeiro deficiente a cursar a carreira na universidade.
Seu pai ficou em Copiapó ele e sua mãe se mudaram para Santiago. Alugaram um pequeno apartamento nos arredores do campus, o mesmo em que vivem há 12 anos. E não era apenas isso. Sara se tornaria as mãos que David precisava - pois ele não pode usar as suas - para seguir seu sonho de se tornar físico.



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